quarta-feira, março 30, 2011

Organizando o ano lectivo de 2011-2012

Saiu em DR o despacho que orientará o funcionamento do próximo ano lectivo, também conhecido como OAL - Organização do Ano lectivo).
Despacho n.º 5328/2011. D.R. n.º 61, Série II de 2011-03-28
Ministério da Educação - Gabinete da Ministra
Estabelece regras e princípios orientadores a observar, em cada ano lectivo, na organização das escolas e na elaboração do horário semanal de trabalho do pessoal docente em exercício de funções no âmbito dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, bem como na distribuição do serviço docente correspondente
PDF - http://dre.pt/pdf2sdip/2011/03/061000000/1451914526.pdf
 As bibliotecas aparecem no artigo 13
Sendo um documento tipificado ao longo dos anos, a sua leitura passa sempre por tentar descobrir as diferenças  relação ao ano transacto.
O artigo 13º (no ano actual era o 9º)  tem sofrido algumas alterações mínimas mas com algum significado. Se o ponto 1 apenas teve a actualização na referências aos diplomas legais que actualizaram a portaria 756/2009, já no ponto dois podemos fazer um exercício sobre as evoluções recentes do fraseado. E está melhor!

2011-2012 - O ponto 2 fica agora assim:
"2- Na designação dos docentes que, para além do professor bibliotecário, integram a equipa da BE deve ser dada preferência a docentes de carreira, com formação em bibliotecas escolares, sem serviço lectivo atribuído ou com horário com insuficiência de tempos lectivos." (Despacho n.º 5328/2011. D.R. n.º 61, Série II de 2011-03-28)
(aqui o professor bibliotecário é um dos elementos da equipa da BE, a formação específica é referida como critério para fazer parte da equipa... mas professor bibliotecário aparece no singular)
Note-se que a primeira proposta deste despacho era algo estranha pois parecia não incluir o professor bibliotecário nas equipas nem considerava a formação específica um critério para fazer parte dessas equipas:
"2- Na designação da equipa de docentes que integram a equipa da BE deve ser dada preferência a professores do quadro sem serviço lectivo atribuído ou com horário com insuficiência de tempos lectivos." (1ª proposta do despacho para 2011-2012)

 2010/2011 - O despacho em vigor dizia o seguinte no ponto 2:
"2- Na designação dos professores bibliotecários e da equipa de docentes que integram a equipa da BE, bem como na designação prevista no artigo 14.º da Portaria n.º 756/2009, de 14 de Julho, e cumprindo os critérios relativos ao procedimento interno de designação, deve ser dada preferência a professores de carreira sem serviço lectivo atribuído ou com horário com insuficiência de tempos lectivos." (Despacho 11120-B/2010 . D.R. n.º 129, Série II de 2010-07-06)
(Aqui o professor bibliotecário e equipa da BE são tidos como entidades diferentes, a formação específica não é referida como critério... mas professor bibliotecário aparece no plural)
Nota final: é bom ver um documento legal ser publicado apenas com aplicação, e com o devido tempo, para o ano lectivo seguinte. No caso deste tipo de despacho, Julho era a data usual o que não trazia vantagens para a preparação do ano lectivo. Boa leitura do documento e que seja bem analisado e incorporado nas normas internas das escolas.
Que este seja um bom exemplo para governantes futuros!
In: http://bibliotequices.blogspot.com/2011/03/organizando-o-ano-lectivo-de-2011-2012.html

Seminário CDU

O Consorcio CDU promoverá o “Seminário CDU 2011 Classificação e ontologia”.
O tema central busca explorar os métodos de modelagem de ontologias e suas aplicações nas linguagens de classificação bibliográfica. O evento será realizado na Biblioteca Nacional dos Países Baixos e o idioma oficial do evento é o inglês.

Maiores informações no sitio do evento:  http://seminar.udcc.org/2011/index.htm

Moderna Biblioteca escolar: Escola SESC de Ensino Médio - Rio de Janeiro, Brasil

Arquitetura caminha entre a extroversão e o racionalismo
"Um lote de 131 mil metros quadrados, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, abriga desde o início de 2008 a Escola Sesc de Ensino Médio (Esem). Luiz Eduardo Índio da Costa é o autor do projeto arquitetônico, que tem como premissa favorecer, ambiental e socialmente, a permanência integral de alunos e professores no complexo educacional. "
(Texto de Evelise Grunow)
Nossos colegas bibliotecários do Blog brasileiro Bibliotecários Sem Fronteiras (BSF) postaram fotos que mostram o belíssimo interior da Biblioteca:

Veja as foto em:
http://bsf.org.br/2011/03/23/biblioteca-escola-sesc-ensino-medio-indio-costa/

Saiba mais sobre a Escola e o Projeto em:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/indio-da-costa-audt-escola-sesc-esem.html

In: http://a-informacao.blogspot.com/2011/03/moderna-biblioteca-escolar-escola-sesc.html

quinta-feira, março 24, 2011

Novidades na Biblioteca Municipal de Figueiró dos Vinhos

No sentido de dar a conhecer a história, cultura e tradições do concelho de Figueiró dos Vinhos, a Biblioteca Municipal deste município acaba de lançar mais um serviço digital, utilizando o YouTube, conhecido site de referência em matéria de partilha de vídeos na Internet.

Além de terem de constituir um fundo documental pertinente e actual, tematicamente diversificado e eclético, que vá ao encontro das necessidades de informação da comunidade, as bibliotecas públicas devem também ter como objectivo prioritário a constituição de colecções de interesse local, designadas de Fundo Local. Este fundo é decisivo para a conservação da memória colectiva local.

O Fundo Local é um dos aspectos essenciais das colecções das bibliotecas públicas. Estes recursos documentais de interesse local são muito específicos, reflectem a actividade de uma determinada comunidade e as características do concelho e da região em questão. O seu valor está exactamente no seu carácter único e no papel vital que desempenha para o conhecimento da memória colectiva da comunidade e, por conseguinte, da sua identidade. Sendo esta uma colecção irrepetível em outras bibliotecas, torna-se o bem informativo mais precioso que as bibliotecas públicas podem oferecer ao mundo globalizado da Internet.

Com uma forte presença na Internet e apostando no Fundo Local como elemento diferenciador e de atracção de novos utilizadores, a Biblioteca Municipal de Figueiró dos Vinhos é provavelmente caso único no panorama bibliotecário português ao nível dos múltiplos serviços que tem desenvolvido com base no seu Fundo Local. Actualmente, à distância de um clique e em qualquer parte do mundo, é possível aceder a um sem número de recursos informativos sobre Figueiró dos Vinhos através dos seguintes canais:
Sítios da Biblioteca Municipal de Figueiró dos Vinhos:
http://www.bmfigueirodosvinhos.com.pt/

Europeana

http://www.europeana.eu/portal/brief-doc.html?embedded=&start=1&view=table&query=figueir%C3%B3+dos+vinhos

Flickr
http://www.flickr.com/photos/bmfigueirodosvinhos

YouTube
http://www.youtube.com/bmfigueirodosvinhos

delicious
http://www.delicious.com/bmfigueirodosvinhos/figueir%C3%B3.dos.vinhos?page=1

quarta-feira, março 23, 2011

segunda-feira, março 21, 2011

Biblioteca de Coimbra “pelas costuras”

A existência de duas bibliotecas em Coimbra beneficiárias do depósito legal "não faz qualquer sentido", critica o director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, apelando à racionalização de custos, com a fusão da biblioteca da universidade com a biblioteca municipal.

"Isso permitiria poupar muito" e garantiria um melhor tratamento e disponibilização dos fundos, considera Carlos Fiolhais, sublinhando que falta espaço para tantos livros e outras publicações, pelo que a biblioteca da Universidade "está a rebentar pelas costuras".
Carlos Fiolhais alerta ainda que publicações em suporte electrónico correm o risco de se perder, pois não há "depósito legal" nem outro mecanismo que garanta a sua preservação futura. "À semelhança do que sucede com as publicações em papel, também as edições em DVD, CD ou o BD carecem de meios para a sua salvaguarda", refere.


sábado, março 19, 2011

Dia Mundial da Poesia

21 de Março é o Dia Mundial da Poesia. Numa iniciativa conjunta do Plano Nacional de Leitura e do Centro Cultural de Belém, este dia será comemorado no dia 20 de Março (próximo Domingo) com um vasto conjunto de actividades.
Neste dia, entre as 11h00 e as 19h00, no Centro Cultural de Belém haverá leitura de poemas, oficinas, feira do livro, maratona de leitura, concurso de poesia, entre outras iniciativas.
Destaque para a exposição do artista Mário Botas, O Jogo e o Caos, cuja obra cruza o universo plástico com o universo poético e literário.

sexta-feira, março 18, 2011

BIBLIOTECAS ESCOLARES: Brasil e Portugal – Diretrizes e Orientações para Formação/Construção de Bibliotecas Escolares

Poderá ter interesse...

Resumo:
A análise comparativa das bibliotecas escolares em Portugal e no Brasil, a partir do exame das principais diretrizes e orientações internacionais de organizações biblioteconômicas e das delimitações institucionais dos órgãos governamentais de ambos os países, ilustra as lacunas e os avanços nos quais essas duas realidades nacionais distintas se interrelacionam no tocante às políticas para bibliotecas escolares.

Ver em:
http://rabci.org/rabci/node/87

Bibliotecas públicas: demasiado preciosas para destruir!

É o discurso cultural do momento em Inglaterra. Face aos cortes financeiros no país as bibliotecas estão a ser seriamente afectadas levando ao encerramento de muitas dependências. Em Oxford a ideia passa ainda por entregar as bibliotecas a serviço voluntário deixando de contar com os serviços dos profissionais de biblioteca.
Philip Pullman (autor de "His Dark Materials" e "The Golden Compass") não se conteve e, numa reunião a 20 de Janeiro, foi implacável em defesa das bibliotecas de Oxford:
I love the public library service for what it did for me as a child and as a student and as an adult. I love it because its presence in a town or a city reminds us that there are things above profit, things that profit knows nothing about, things that have the power to baffle the greedy ghost of market fundamentalism, things that stand for civic decency and public respect for imagination and knowledge and the value of simple delight.


Read more: http://bibliotequices.blogspot.com/2011/02/bibliotecas-publicas-demasiado.html#ixzz1GsKD23ZZ

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http://bibliotequices.blogspot.com/2011/02/bibliotecas-publicas-demasiado.html#ixzz1GsJxGE5T
 

quarta-feira, março 16, 2011

“Os livros resistirão às tecnologias digitais”

Entrevista de Cristina Zahar – Revista Nova Escola – Agosto de 2007

O especialista em história da leitura Roger Chartier concedeu uma entrevista interessante a Cristina Zahar, da revista Escola. Com sua lucidez e bom senso permanentes, o pesquisador diz acreditar que a Internet pode-se transformar em aliada dos textos, por permitir a sua divulgação em grande escala; que nunca se leu tanto como hoje – ainda que, muitas vezes, sejam outros os textos; e que depende da sociedade, dos responsáveis pelas políticas culturais e pela educação, contribuir na definição do melhor caminho possível para o futuro da cultura impressa, que, para ele, não irá desaparecer.

Consultar aqui a entrevista:

V Encontro de CTDI intitulado “Informação. Economia. Poder”

Exm.os Senhores

No dia 14 de Abril, a Licenciatura em Ciências e Tecnologias da Documentação e Informação (CTDI), da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG) do Instituto Politécnico do Porto (IPP), irá organizar o seu V Encontro de CTDI intitulado “Informação.Economia.Poder”.

De acordo com a tradição deste evento, é objectivo da organização dinamizar um fórum de análise e discussão de temas relacionados com a Ciência da Informação.

No actual contexto socioeconómico, a Informação enquanto recurso estratégico tem assumido uma importância fulcral, possibilitando o desenvolvimento de diversos campos de actuação e de reflexão.

O V Encontro de CTDI conta com a presença de oradores, nacionais e estrangeiros, com experiência e conhecimento na análise da informação enquanto recurso estratégico, na relação da informação com o comportamento organizacional e com a informação empresarial.

O Encontro terá lugar no Auditório da ESEIG, em Vila do Conde.

Atendendo à actualidade e pertinência da temática, gostaríamos de contar com a presença de V/ Exs. bem como com a V/ colaboração para a divulgação do evento.

Para informação mais detalhada acerca do V Encontro de CTDI, incluindo o Programa e modalidades de inscrição, pode consultar o sítio do evento em
http://www.eseig.ipp.pt/ctdi2011/ .

Para esclarecer qualquer dúvida, pode enviar um e-mail para
ctdi2011@eseig.ipp.pt.

Gratos pela atenção.

Com os mais cordiais cumprimentos,

Pel´Organização do V Encontro de CTDI
Susana Martins

BAD MANIFESTA APREENSÃO PELOS SINAIS DE DESINVESTIMENTO NO PROGRAMA REDE DE BIBLIOTECAS ESCOLARES

O Conselho Directivo Nacional da Associação  Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) vem comunicar a tomada de posição pública sobre a Portaria nº 76/2011, de 15 de Fevereiro, do Ministério da Educação.
 
BIBLIOTECAS ESCOLARES – PORTARIA N.º 76/2011
TOMADA DE POSIÇÃO PÚBLICA DA BAD
 
1.  A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD), enquanto estrutura representativa dos profissionais de informação e documentação portugueses, tem apoiado convictamente, desde a sua criação, o Programa Rede de Bibliotecas Escolares, e por diversas vezes apresentado publicamente tomadas de posição, tal como aconteceu durante o último Congresso Nacional, relativamente à portaria n.º 756/2009, de 14 de Julho. Face ao conteúdo da portaria n.º 76/2011, de 15 de Fevereiro, que no ponto 2, do artº 2º, define que o Professor-Bibliotecário deve assegurar a leccionação de uma turma, a BAD manifesta a sua profunda apreensão, pelos sinais de claro desinvestimento que esta decisão representa.
2.  Centenas de bibliotecas escolares, elementos essenciais do processo educativo, contarão, a partir de Setembro próximo, com menos tempo de trabalho de todos quantos se empenham no seu desenvolvimento, deixando objectivamente milhares de alunos, com piores condições de aprendizagem.
3.  A publicação da referida portaria, menos de um ano depois de se ter verificado a redução dos recursos humanos das bibliotecas escolares (portaria n.º 558/2010, de 22 de Julho), indicia uma inflexão de rumo relativamente a estas, podendo  comprometer investimentos significativos  que, desde 1996, diferentes Governos têm conseguido concretizar, com resultados comprovados.
4.  A BAD alerta para o perigo de se persistir em medidas que poderão comportar graves consequências para as bibliotecas escolares, estruturas essenciais ao desenvolvimento da literacia, das competências de informação e do processo de ensino-aprendizagem dos alunos; 
5.  Assumimos assim o compromisso de continuar a acompanhar atenta e criticamente as políticas aplicadas às Bibliotecas em geral e, neste caso, particularmente às Escolares, manifestando um firme apoio aos que nelas trabalham, persistentes e determinados a melhorar a qualidade dos serviços que prestam.”
 
Fonte:

Estou de volta...

Depois de algum tempo resolvi que era tempo de voltar a partilhar mais informação.

Obrigada por aqui virem.

Claro que peço as vossas sugestões, sempre :)

Susete

quarta-feira, outubro 25, 2006

Biblioteca pessoal de Saramago poderá ser vista na internet

Biblioteca pessoal de Saramago poderá ser vista na internet
Publicidade
da Lusa, em Granada

A biblioteca particular do escritor português José Saramago, que fica em Lanzarote (Espanha), com mais de 20 mil exemplares, além de manuscritos pessoais, vai poder ser consultada na internet.

A disponibilidade do acervo particular do escritor português foi acordada em um convênio assinado nesta quinta-feira com a Universidade de Granada. Em um primeiro momento, a biblioteca de Saramago estará no site da universidade e, posteriormente, ganhará um endereço próprio na web.

O reitor da Universidade de Granada, David Aguilar, disse em uma coletiva de imprensa que uma equipe de bibliotecários da universidade já trabalha no processo de catalogação e digitalização dos materiais, com a meta de disponibilizar 1.800 exemplares.

Saramago disse sentir "um carinho especial" pela sua coleção, afirmando que ela contém livros que começou a recolher quando tinha 18 anos e "com dinheiro emprestado".

No passado, os primeiros livros ganharam lugar de honra numa estante na casa dos pais do escritor, "onde não havia um único livro", e ocupam agora "lugar privilegiado" na sua biblioteca em Lanzarote, conta o vencedor do Nobel de Literatura de 1998.

O autor de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", "Memorial do Convento" e "Ensaio Sobre a Cegueira", entre outros, diz que "não é uma grande biblioteca". "Não tive o privilégio de herdar, como é o caso de outros escritores. Por isso, estou profundamente agradecido [pelo projeto da universidade]", disse.

Um dos aspectos mais importantes da iniciativa, segundo Saramago, será o fato de servir como vitrine para escritores desconhecidos ou que só puderam ver a sua obra em edições limitadas.

Pilar del Rio, mulher do escritor português, destaca também a raridade do conteúdo do acervo dizendo que, em suas viagens, vários escritores deixaram com o casal exemplares de seus livros, muitos dos quais sem alcance mundial e com impressão restrita.

In: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u64349.shtml

segunda-feira, outubro 02, 2006

Biblioteca de Penela abre as portas com 15 mil livros

Biblioteca de Penela abre as portas com 15 mil livros
Maria João Lopes

Obra custou cerca de 1,5 milhões de euros e inclui um espaço polivalente que funcionará também como sala de cinema

A Biblioteca Municipal de Penela, a primeira da vila, é hoje inaugurada, numa cerimónia que contará com a presença da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. A nova infra-estrutura inclui uma sala polivalente com 150 lugares que funcionará simultaneamente como sala de cinema e como auditório para diversas conferências. O equipamento cultural situa-se na zona nova de Penela, uma área central que alberga um Pólo Educativo. Fazem parte deste pólo a Escola Tecnológica e Profissional de Sicó de Penela, a EBI - Escola Infante D. Pedro e, agora, a biblioteca municipal. Para além da sala que funcionará como cinema e sala de congressos, a nova infra-estrutura, que conta com dois parques de estacionamento, terá uma sala de estudo, uma sala para crianças, onde decorrerá a iniciativa Hora do Conto, uma sala de leitura, um espaço multimédia e ainda um miniauditório.A biblioteca foi construída de raiz e custou cerca de um milhão e 500 mil euros. Foi financiada em 50 por cento pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas, cabendo o restante à Câmara Municipal de Penela, responsável também pela gestão do espaço. As funções de administração e de programação do espaço serão repartidas por uma equipa constituída por uma bibliotecária, responsável pelo edifício, pelo técnico superior de Cultura e do Património da autarquia, Mário Duarte, e pelo presidente da câmara, Paulo Júlio, que assume também o pelouro da Cultura.O auditório - sala de cinema e de congressos - tem duas entradas, uma interior, pela biblioteca, e outra exterior, independente.

Funcionará como cinema às sextas e sábados, às 21h30, e aos domingos, às 16h30, com filmes da distribuidora Lusomundo. Nos restantes dias, o auditório servirá para acolher a realização de seminários, congressos e outros eventos similares. A sala já foi até utilizada para acolher o primeiro Fórum de Educação, realizado em Setembro, porque, na realidade, a biblioteca está pronta há vários meses. Contudo, como faz parte da rede educacional de bibliotecas públicas, era necessário obedecer a alguns requisitos prévios antes da sua abertura ao público, como, por exemplo, disponibilizar 15 mil livros aos futuros utentes. Também já está agendada, para aquele espaço, a realização do I Fórum de Desenvolvimento Económico, a 11 de Novembro. A inauguração da nova infra-estrutura está inserida na programação das Festas do Concelho, que arrancaram ontem e se prolongam até domingo. O certame inclui ainda a Fagrip - Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Penela (inaugurada ontem), a ancestral Feira de S. Miguel e a Feira das Nozes.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Partilhar não ocupa lugar

In: Correio da Manhã

A paixão pela leitura leva-os a provocar o destino e entregar o livro de uma vida a um perfeito desconhecido.
Se procurar nos dicionários de Língua Portuguesa, não vai encontrar a palavra ‘bookcrossing’ em lado nenhum, mas a expressão é já uma realidade para muitos portugueses que têm os livros como paixão.O inglês ajuda a transmitir a globalidade de um clube de livros que atravessa tempo e espaço e que não conhece barreiras geográficas. Quem participa sabe que provoca o destino dos seus livros, libertando-os para que possam ser encontrados por desconhecidos... Outros optam por criar cadeias de leituras, emprestando os seus exemplares a amigos invisíveis, numa viagem pelos quatro cantos do Mundo.Teresa Laranjeiro tem 25 anos, é bibliotecária “por coincidência“ e a responsável pela gestão do site www.bookcrossing-portugal.com, um espaço na internet onde o fenómeno fala português. O gosto pela leitura vem da infância e o ‘bookcrossing’ “nasceu antes da profissão, numa altura em que não estava ainda a trabalhar“, há dois anos. “Resolvi experimentar o site internacional e achei piada ao conceito. Fui aos fóruns portugueses, conversei com outras pessoas e a ideia que elas me transmitiram atraíu-me bastante”, conta com entusiasmo. Antes de partilhar interesses, Teresa “tinha a ideia de que a leitura era um passatempo solitário”, um conceito completamente desmistificado a partir do momento em que começou a partilhar experiências e interesses com os restantes membros da comunidade.

“O ‘bookcrosser’ deu-me a conhecer autores a que eu não chegaria e estilo de livros que eu não conhecia”, resume. DAR E RECEBERRosa Pomar, uma designer de brinquedos para crianças com 30 anos, participa activamente há três no ‘bookcrossing’, pouco depois de ter tido uma bebé. Estava em casa, com tempo para dar e vender, altura ideal para apostar numa das áreas que mais lhe interessa: a Literatura. Depois de ler uma reportagem sobre o tema ficou “muito curiosa com a ideia de partilha dos livros e com a possibilidade de lidar com pessoas com os mesmos interesses”. “Funciona com base na generosidade das pessoas e na capacidade de percebermos que mais vale emprestar os livros do que tê-los em casa a apanhar pó.”São várias as formas de libertar livros através do ‘bookcrossing’, quer deixando-os num local público (consultórios, jardins, museus, comboios ou paragens de autocarro), quer em locais específicos, as zonas oficiais de ‘bookcrossing’. “Eu gosto de libertar um livro, marcando um dia e um local, quando há uma data ou um acontecimento que é especial para mim“, revela Mariana Avelãs, ‘bookcrosser’ com 31 anos que participa activamente desde Fevereiro de 2003.

Mariana está desempregada, mas toda a vida se dedicou aos livros, trabalhando sempre em áreas ligadas à literatura. “Gosto de passar despercebida, deixar o livro de forma anónima, até porque o acto em si é anónimo, essa é a piada do ‘bookcrossing’”, diz convicta. O QUE SENTE?E o que sente quem liberta um livro? “O que mais me atrai é saber que alguém está com o livro, vai lê-lo e reagir positiva ou negativamente a ele, sabendo à partida que se trata de uma pessoa com a qual nunca me cruzaria na vida”, responde de imediato Mariana. Já Rosa não consegue libertar-se do ideal romântico associado à libertação do livro. “Gosto da ideia de se deixar um livro num sítio qualquer, pensar que ele vai parar às mãos de outra pessoa e que vai enriquecer um pouco mais essa pessoa”, descreve. Teresa fá-lo pela emoção de acompanhar passo a passo a entrega ao desconhecido. “Fazer a nota de libertação, pensar num sítio estratégico e, depois de o deixar, esperar para ver se alguém o recolhe, ver as pessaos a folhear as páginas e curiosas com as etiquetas que usamos, é muito bom mesmo.”TODAS O FIZERAMJá todas libertaram livros, uns com mais valor sentimental que outros, mas todas preferem optar pelo sistema de empréstimos que o site lhes proporciona. Até porque dos muitos livros libertados, mais de 90 por cento não volta a dar notícias. Basta um registo para partilhar os livros em círculo. Um único exemplar pode passar pelas mãos de mais de 30 pessoas, espalhadas pelos vários cantos do Mundo.“Confio mais num livro partilhado do que se o emprestar a amigos“, diz Mariana. “Tive um ano em que não consegui ler um único livro meu por ter recebido tantos livros de outros ‘bookcrossers’.” Teresa encontra facilmente uma explicação: “Os ‘bookcrossers’ são pessoas que adoram livros e que por isso têm imenso cuidado com eles.”E quanto a benefícios, as três ‘bookcrossers’ são quase unânimes nas respostas. Mariana reconhece que “mais do que libertar”, existe a possibilidade de ler livros que nunca leria na vida”. Teresa teve já a possibilidade de “conhecer autores muito diferentes e isso é uma sensação espectacular”. “Mas o que gosto mesmo muito é de ter a possibilidade de ler livros em língua estrangeira a que nunca teria acesso”, remata. Rosa já deu por si a “pensar se libertaria determinado livro”, mas quando se trata de emprestar, desvanecem-se as incertezas. “Quando ponho um livro a circular, não me ponho a pensar se o vou recuperar”, porque o que mais a marca é “poder ler autores de cuja existência não ia saber.”

VIAJAR PELA CAIXA DE CORREIO
Os Correios são os principais veículos para quem pretende pôr a circular livros. Por isso, existe a chamada taxa editorial, que permite o envio de exemplares de uma forma económica. Para tal basta escrever no envelope: contém livro, pode ser aberto para verificação postal e taxa editorial económica.Um outro requisito impede que o livro seja acompanhado de cartas, folhas soltas ou marcadores. A taxa não é exclusiva para editores e, em caso de dúvida, basta enviar um ‘e-mail’ para os CTT e fazer uma impressão da resposta para apresentar ao balcão.NÚMEROS- 486 mil ‘bookcrossers’ registados a nível mundial - 6 mil portugueses fazem já parte da lista de ‘bookcrossers’. São comuns os encontros e convívios entre a comunidade- 96 livros libertados em Portugal no último mês, 25 deles em Lisboa - 3 anos é o tempo que demora a libertar cerca de 150 livrosZONAS ESPECIFÍCASExistem zonas oficiais para a libertação de livros. Lisboa, Coimbra, Porto e Aveiro estão entre as cidades com locais para a troca.DICIONÁRIOS DO 'BOOKCROSSINGREGISTOQuem encontra um livro na rua deve entrar no site do ‘bookcrossing’, usar o número que identifica o livro e fazer um comentário sobre o que leu. Para quem nunca se cruzou com um livro abandonado, pode entrar no site internacional do ‘bookcrossing’, fazer um registo dos dados e optar entre libertar um livro, partilhá-lo ou trocar comentários.LIBERTARAntes de libertar um livro, deve identificá-lo, atribuíndo-lhe um código de identificação, do tipo 123-4567890. Depois anota o número e o endereço do site no livro e uma explicação para que a pessoa que achar saiba do que se trata. No fim, é só fazer uma nota de libertação no site indicando onde e quando o livro será libertado.CAÇANa secção ‘Go Hunting’ (Vá à Caça) do site internacional do ‘bookcrossing’ são listados todos os livros libertados nos últimos 30 dias, em todos os pontos do mundo, que ainda não deram notícias. A cada nova libertação na cidade a que o participante pertence, é desencadeado um sistema de alerta através da recepção de um e-mail.

EMPRÉSTIMO‘Bookring’ (Anel de Livro) é o termo usado pelos ‘bookcrossers’ para partilhar livros sob a forma de empréstimo. Basta que o organizador anuncie no fórum de discussão que vai fazer um ‘bookring’, indicando o nome do livro. Os interessados inscrevem-se e ficam em lista de espera. Depois de lido, cada pessoa encaminha o livro.PRATELEIRA VIRTUAL Após o registo no ‘bookcrossing’, recebe-se de imediato uma prateleira virtual, a ‘bookshell’.

A prateleira é uma página onde são referidos todos os livros que o participante regista ou encontra, podendo incluir informações pessoais. A prateleira contém dados sobre a data de registo e os últimos 7 livros registados.PEDIR LIVROQuem tem mais prática sugere educação no momento de pedir um livro, bem como a oferta de algo em troca. Deve verificar os comentários no livro e na prateleira do dono actual para ter a certeza que está disponível. Pessoas com muitos livros registados recebem inúmeros pedidos, por isso, se não obtiver resposta, também não insista.

Diana Ramos